Amor pelas “Terças”

Às Terças. Nova atriz no elenco.
Está em temporada, no Teatro Leblon – RJ, terças e quartas, até 25 de novembro, a comédia Às Terças, da atriz e dramaturga MARCÉLLI OLIVEIRA, dirigida por ALEXANDRE CONTINI, com um elenco superafiado. Um grande achado da peça foi a presença da atriz MARCELLA MUNIZ, uma veterana que abrilhanta ainda mais as exibições. 

A razão de Às Terças agradar tanto o público em todas as suas apresentações?

Ora, como diz a própria autora, devido à história ser “muito humana. O público tem chegado pra mim e dito que estão refletindo sobre a dramatização dos seus problemas e como podem levar tudo com mais leveza. As pessoas se emocionam de ver que tratamos os problemas com leveza e que não julgamos porque somos todos maravilhosamente estranhos e loucos.”

Mas que problemas são esses?

Bom, saberemos de uma vez em nossa

 

EXCLUSIVA ENTREVISTA.
Com o diretor e as atrizes do espetáculo.  

 

IZAN SANT – Alexandre, ocorreu mais uma reestreia da peça. Entusiasmo em alta mesmo, de todos?

ALEXANDRE CONTINI – É sempre uma delícia recontar essa história, a cada reestreia sempre surgem coisas novas. Me divirto muito com elas.
 

IS – Escrever sobre e atuar no espetáculo, Marcélli, representa…?

MARCÉLLI OLIVEIRA – Trabalho duplo, mas satisfação dupla também… (Risos gostosos.) É lindo você escrever algo que parece pequeno na sua cabeça e vê-lo tornar-se gigante no palco e sendo aplaudido por tanta gente. E o fato de você estar ali, junto, contando aquela história, emociona ainda mais.
 

IS – Carina, o que é mais gostoso de fazer na pele da sua personagem?

CARINA SACCHELLI – O que é mais gostoso de fazer na pele da minha personagem é viver essa neurose tão atual que é a ditadura da magreza! Berenice, minha personagem, faz o que for preciso: passa dias sem comer, vomita e não se considera doente, acha isso normal. Acho maravilhoso viver uma personagem vaidosa a esse ponto, algo que é bem distante de mim.
 

IS – E na pele de sua personagem, Marcella?

MARCELLA MUNIZ – Laura foi um presente, um personagem engraçado que conta a história da peça e tem todo um lado dramático também.
 

IS – O que foi mais difícil na composição da sua Jandra, Stela? Se é que houve alguma dificuldade.

STELA MARIA RODRYGUES – Tornar a Jandra crível. Fazer com que uma personagem com tudo para se tornar uma caricatura pudesse se tornar real para o público. Que as pessoas pudessem acreditar nela, rirem com ela, chorarem com ela.
Emoção. Só em "Às Terças"!


IS – Como se deu sua preparação para encarar essa montagem com uma nova atriz, Alexandre?

AC – Gotsha não pôde seguir no espetáculo por causa da agenda, e em seu lugar entrou a Marcella Muniz, uma grande atriz. A montagem muda um pouco, a Laura dela é um pouco diferente da Laura da Gotsha, então a minha preparação foi conhecer a fundo a personalidade da Marcella e a partir daí traçar as alterações, coletivamente com o elenco. Como a base do texto é a relação das quatro, uma temperatura diferente altera o todo.
Uma comédia sobre nossos problemas.


IS – O quanto é prazeroso trabalhar com um diretor feito o Alexandre Contini, Marcélli?

MO – Eu e o Alê já nos conhecemos há 8 anos, estudamos muito teatro juntos antes de trabalharmos profissionalmente juntos. Um já admirava a garra do outro de fazer acontecer, de ser empreendedor, de querer estar trabalhando. Ele assistiu muita coisa que fiz então conhece minhas qualidades e meus defeitos a fundo para poder explorar o que é bom e me dar toques onde peco. E o mais legal é que ele me incentiva a fazer personagens que ainda não fiz, a sair da zona de conforto. Fizemos duas peças lindas juntos, meu início na dramaturgia e dele na direção solo começaram nesses trabalhos, então sempre estaremos marcados na vida um do outro pra sempre. 
 

IS – Em que instante da comédia vocês se consideram o ápice da emoção do público, Marcélli, Carina, Marcella e Stela?

MARCÉLLI – Posso dizer que o ápice da minha emoção é quando alguém sai do teatro e vai pra casa mexido em maior ou menor grau com o que mostramos ali. 

CARINA – Acho que o ápice da emoção do público é do meio para o final, quando já se estabeleceu a relação de amizade e parceria das quatro mulheres. Elas se tornam amigas de verdade após anos de terapia em grupo e têm carinho e preocupação umas com as outras. O problema de uma se torna o problema de todas! Todos na plateia têm uma relação dessas na vida e acho que as pessoas se identificam e se emocionam com isso.

MARCELLA – Na cena que meu personagem Laura leva maconha para elas fumarem, acho que é a parte mais engraçada.

STELA – A cena-bônus escrita especialmente para a Jandra. É uma surpresa, não posso contar! Mas sempre que a cena começa, eu sinto que a plateia vem junto e vibra!
Às Terças. Personagens em troca de ideias.


IS – Uma das mensagens do texto que você acha mais importante, Alexandre, qual é?

AC – Num certo momento abre uma discussão interessante, uma das personagens descobre que tem uma doença terminal, e, ao invés de se deprimir, ela passa a viver intensamente cada segundo de sua vida. E me pergunto, precisamos estar com uma arma na cabeça ou por um fio pra dar valor ao que realmente importa?
 

IS – Uma mensagem super do Bem ao público de “Às Terças”, Marcélli?

MO – Tem um trecho da peça que diz: "Vivam. Voem. Como urubus ou como borboletas." É isso… sonhe alto, pense positivo, dê amor, não julgue, chore de rir, chore de emoção, e tenha muito, muito, muito orgulho de ser quem você é.

 

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