Carlos Arruza — um Tudo por amor

Carlos Arruza e a amiga Patricia França.
Em Ou Tudo ou Nada, CARLOS ARRUZA, ator, cantor lírico e psicólogo, é outro integrante do musical que acaba conquistando o afeto dos espectadores. Seu personagem, Harold, à primeira impressão um empresário (falido) rígido ao extremo e sem sentimentos, revela-se, em nome do amor e da necessidade de não perder este amor, um cara de bom coração. Ele é o esposo de Vicki, bela e consumista mulher interpretada pela ótima PATRÍCIA FRANÇA, sobre quem Arruza se expressa com muito carinho adiante.

O ator estudou n’O Tablado, de Maria Clara Machado, e se formou por um dos melhores cursos de teatro do Brasil, a CAL, Casa das Artes de Laranjeiras.

Vinculado à Associação de Artistas Líricos, atuou, antes da formação profissional, em grandes produções, como Os Três Mosqueteiros, de Carlos Wilson, e trabalhos em óperas do quilate textual de Aída e Otello.

Eis então Arruza, mais um dos nossos entrevistados de Ou Tudo ou Nada.

 

EXCLUSIVA ENTREVISTA.

  

IZAN SANT – O teatro chegou na sua vida aos 11 anos, em grupos amadores. Foi paixão mesmo por ele, a partir daquela idade?

CARLOS ARRUZAFoi um trabalho realizado na escola, onde resolvi apresentar um texto de forma dramatizada. Reuni os colegas do grupo e fiz com que cada um providenciasse seus figurinos. Dirigi e também atuei. Foi péssimo, mas, mesmo assim, ficou a vontade de fazer mais… (Risos gostosos.)
 

IS – Como se jogou na Oficina de Atores da Rede Globo? E no canto lírico?

CAEstava em cartaz no Rio com Cacá Carvalho com a peça “25 Homens”, do Plínio Marcos. Emílio di Biase nos assistiu e me fez o convite. Quanto ao canto, é uma paixão. Ney Ayalla foi meu primeiro professor. Procurei o canto muito jovem porque era apaixonado por Gal Costa e queria uma forma de me aproximar dela… (Risos.) Nunca soube se era bom ou se poderia fazer bem, mas cantar é um prazer inigualável.
 

IS – Agora passamos ao Harold. Prazer em fazê-lo, sem dúvida. Qual a razão?

CAHarold, como todos os personagens que fiz, é como eu em algum aspecto. É ótimo encontrar aquele ponto-chave do personagem que casa exatamente com você. Estar em cena defendendo alguém que faria qualquer coisa para não perder o amor da sua vida é muito emocionante.
Carlos Arruza  em "Ou Tudo ou Nada".


IS – Do que mais gosta nesse personagem?

CAAcho que o contraste de querer aparentar uma fortaleza e ser vulnerável como qualquer um dos outros.
 

IS – Contracenar como marido da minha conterrânea querida Patrícia França. Significa…?

CAPatrícia eu vi em cena cantando muito antes dos musicais virarem moda. Ela é encantadora. Voz linda e pessoa generosa. Uma sorte enorme dividir o palco com ela.
Carlos Arruza e Patrícia França. O canto.


IS – O clima no camarim, qual é?

CAMuita união. Mesmo nas diferenças, percebemos que podemos contar uns com os outros de verdade. Isso é raro.
 

IS – Foi difícil tirar a roupa no primeiro ensaio? Ou não tiraram, simularam, e ficou apenas para a estreia?

CADifícil, sim. Muitas tentativas e um passo de cada vez. Tadeu Aguiar é um excelente condutor e soube fazer tudo a seu tempo.
Carlos Arruza no camarim.


IS – Todos no espetáculo são grandes atores. Mas o Xande Valois, até mesmo pela idade, você classificaria…?

CAEle me assusta com tamanha inteligência. Sempre que posso, faço perguntas para ver se aprendo alguma coisa com esse menino. Ótimo caráter, astral e generosidade.
 

IS – Conceitue o ser dirigido pelo Tadeu Aguiar.

CATadeu Aguiar me fez sentir inveja quando assisti “Quase Normal”. Queria estar em cena com o personagem do meu amigo Cristiano Guarda, que fazia lindamente. É raro, pra mim, querer estar em cena quando vejo algo mesmo que goste. Ali entendi que Tadeu era o artista que estava faltando conhecer e, por sorte, estou agora neste trabalho confirmando. Ele é exatamente o que se vê. Um espetáculo.
Carlos Arruza. Um toque de sensualidade.

IS – Qual o ponto de maior emoção do musical?

CAOuvir Patrícia França cantar pra mim já me fez desabar de emoção algumas vezes. Tenho muita sorte.
 

IS – Você acabou de fazer um ensaio fotográfico sensual. Como é manter essa super boa forma aos 46 anos?

CA - Manter a forma é questão de saúde. Comer bem e fazer exercícios está ao alcance de todos. Isso é disciplina. Claro que isso reflete na boa aparência, que também ajuda no mercado de trabalho. Mas, antes de tudo, é fazer por qualidade de vida.
Arruza. Um maior toque de sensualidade.


IS – Nos fale acerca de seus trabalhos anteriores a Ou Tudo ou Nada.

CAAnterior a “Ou tudo ou Nada”, fiz “Mamma Mia!”, em São Paulo. Também fiz o musical “Império”, do Miguel Falabella, e “Cristal Bacharach”, da dupla Möeller e Botelho. Meu primeiro musical foi “Francisco de Assis”, com Ciro Barcelos, e, em seguida, fiz “Comunità”, o musical italiano de Cláudio Magnavitta.
 

IS – Escritor e livro?

CATodos do Deleuse.
Arruza em um dos seus bons trabalhos.


IS – Perfume e hobby?

CATom Ford e Teatro. Também sou psicólogo. Mesmo sendo profissão, é uma atividade que amo fazer.
 

O ator Carlos Arruza.IS – Filme antológico!

CA – “Ligações perigosas”.
 

IS – Comida de sua preferência?

CAFeijão, arroz, batata frita, carne e ovo.
 

IS – A sua mensagem mega do bem aos que apreciam o seu trabalho como ator e cantor?

CASem o aplauso não somos ninguém. Fazemos tudo para agradar e sermos aceitos. Obrigado a todos que dedicam uma palavra sequer ou, mesmo, uma curtida no Facebook. Isso faz valer a pena nosso ofício.
 

O espetáculo está em cartaz, até 20 de dezembro, às quintas e sextas, as sessões são às 21 horas; aos sábados, são duas: uma às 18 horas, outra às 21:30; aos domingos, você assiste às 19 horas.
  

Fotos: Edney Suiter (Ensaio sensual)
e Divulgação

 

Nossa anterior entrevista da série,
com Fábio Bianchini, AQUI.

 

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Izan Sant

Izan Sant

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