Quadrilhas Juninas de Pernambuco

Por Wilton Carvalho
 

Êta São João bom! E começamos com quadrilhas no passado! A primeira é

Arraialzinho do Cordeiro

“A quadrilha junina mais antiga em funcionamento no Recife”. Assim é conhecida a quadrilha Arraialzinho do Cordeiro, criada, em 13 de maio de 1979, pelo núcleo de duas famílias — Caboclo e Vicente — moradoras do Bairro do Cordeiro.
Arraialzinho do Cordeiro

A iniciativa partiu de Seu Francisco Agostinho Caboclo, o popular Chico, que reuniu a criançada, “ordenando” o seu genro, Reginaldo Vicente da Silva (Regi), a marcar a brincadeira. Em comum acordo, decidem batizar a quadrilha de Arraialzinho do Cordeiro, pelo fato de seus “dançarinos serem pequenos e vão se apresentar em arraial, daí colocamos o arraial no diminutivo e fica arraialzinho, e Cordeiro porque é nosso bairro”, diz Reginaldo Vicente, atual presidente.
 

Cambalacho

A Quadrilha Cambalacho foi fundada em 02 de março de 1986 pelas irmãs Gecilene e Gecijane Lopes Barbosa. A ideia era formar uma quadrilha de familiares para animar a Rua da Campina, em Goiana, PE.
Cambalacho.

Inicialmente uma quadrilha formada só por mulheres, incluindo a marcadora — fato que causou admiração, popularizou o trabalho do grupo e resultou na conquista de muitos prêmios como melhor marcadora. A origem do nome está vinculada ao nome de uma novela que passava na televisão, fazendo muito sucesso nas conversas das mulheres da quadrilha.
 

Chiclete com Banana

A Quadrilha Chiclete com Banana foi fundada em 19 de abril de 1987, no Bairro da Vila Rica/Cohab 1 – Jaboatão dos Guararapes.
Chiclete com Banana.

A ideia de organizar o grupo nasceu com Manoel Andrade (Pato), Wildo Lucena, Joseane da Silva, Jeilton da Silva, Quitéria e Marcus, que, insatisfeitos com as discórdias de uma quadrilha que existia no bairro, resolvem criar uma nova brincadeira.

O nome foi sugerido por Pato, marcador do grupo no seu primeiro ano, em referência à música de Jackson do Pandeiro: Chiclete com Banana. Esse período também era marcado pelo sucesso das músicas baianas no país, em especial, as do grupo Chiclete com Banana, cujo LP com músicas do ritmo junino (Sonhei que eu era balão dourado, Riacho do navio corre pro Pajeú…) inspirou o repertório de toda quadrilha.
 

Deveras

Fundado na comunidade de Brasília Teimosa – Recife, em 1980, o balé Deveras surge com o propósito de dar visibilidade às danças populares de Pernambuco e formar profissionais para atuar no mercado da dança no Estado.
Deveras.

Utilizando a dança como instrumento de inclusão social, o Deveras, durante 12 anos, montou vários espetáculos de dança com jovens da comunidade praieira de Brasília Teimosa.

Conquistou espaço e reconhecimento social apresentando seus trabalhos (resultados de estudos e pesquisas sobre as manifestações populares) em teatros do Recife e em outras cidades, em eventos turísticos promovidos pela EMPETUR, no Programa FREVANÇA, da Rede Globo Nordeste, do qual participou durante uma década, além de outros festivais de dança organizados pela Prefeitura do Recife.
 

Dona Sinhá

A Quadrilha Dona Sinhá, da comunidade do Encanta Moça — Pina — nasceu de uma brincadeira de criança “no quintal de Dona Anita”, no dia 29 de abril de 1982. A escolha do nome remete à influência de uma personagem de novela muito popular na época.
Dona Sinhá.

Como a maioria dos grupos, Dona Sinhá começou com poucos casais da própria vizinhança, amigos da rua, que, nos intervalos das brincadeiras, decidem dançar quadrilha. Entre os primeiros componentes do grupo, destacam-se: “Nadjane, Andréa, Ceça e Robson”, recorda Dona Marileide Almeida de Lucena, uma das fundadoras.

Dona Sinhá cresce e passa a atrair outro tipo de público, com novos desejos e sonhos. “O espaço ficou pequeno para a quantidade de pessoas que queria dançar. Então, aterramos um terreno cheio de buraco na frente da casa de seu José Felix Cavalcanti, meu sogro, e fizemos um arraial com a ajuda de um político”, comenta Sílvio Marques de Lucena, também fundador do grupo.
 

Flor do Abacate

Em abril de 1981, os moradores da Rua do Abacate, situada na 3ª etapa do Bairro de Rio Doce – Olinda, ao observarem a grande quantidade de crianças que brincava na rua, resolveram fazer uma quadrilha junina.
Flor do Abacate.

A brincadeira foi ganhando forma e atraindo o público da redondeza, que assistia aos ensaios do grupo, sob o comando do seu primeiro marcador — José Carlos, o popular Cal.

De todas as etapas do bairro chegavam crianças, e a Quadrilha Flor do Abacate Mirim tornou-se o xodó da comunidade. Pelas suas características próprias, conquistou os mais importantes títulos do Recife e Região Metropolitana: o tri-campeonato do Sesc Santo Amaro (1993 a 1995), além de alguns campeonatos espalhados nos arraiais comunitários. Nesse período, o Festival Pernambucano de Quadrilhas Infantis da Prefeitura do Recife ainda não existia.
 

Lumiar

Com um nome que remete à luz, brilho, resplendor, nascia, em 1992, na comunidade de Brasília Teimosa, o Grupo de Dança Lumiar. A iniciativa parte do coreógrafo Erinaldo Souza, popularmente conhecido como Nanau, juntamente com alguns amigos da localidade apaixonados pela dança (Maria Izabel Vasconcelos (Bebê), Norma Vasconcelos, Paulo Brito de Barros, Maria José de Barros (Zezé).
Lumiar.

Em 1994, nasce a ideia de transformar o grupo em quadrilha junina, apresentando-se em diversos arraiais de bairro. No comando do grupo, como marcador e coreógrafo, Nanau inscreve a Lumiar, em 1995, para participar pela primeira vez do Festival Pernambucano, onde o componente Marcos França recebe o título de “1º Rei das Quadrilhas Juninas”. Era o início de uma história com importantes premiações para o segmento.
 

Matutinho Dançante

Em meio aos fogos, fogueiras e simpatias em homenagem a Santo Antônio, surge, em 12 de junho de 1986, a Quadrilha Matutinho Dançante na Roça.
Matutinho Dançante

Seus idealizadores, os moradores brincantes da Rua Ascânio Lopes, na UR-6, decidem criar o grupo, faltando apenas doze dias para o São João, em virtude da triste notícia do fim da quadrilha Siriri na Roça, na qual todos os participantes dançavam. “Para não ficarmos sem dançar no São João, na tarde do Dia dos Namorados daquele ano, nos reunimos e decidimos colocar os componentes na rua dando um outro nome à quadrilha”.

Em 2003, o nome da quadrilha reduz-se para Matutinho Dançante, mas a intensidade dos seus trabalhos na comunidade permanece com o vigor e a vontade de sempre crescerem.
 

Nóis Sofre Mais Nóis Goza

Fundada em 20 de abril de 1982, a quadrilha Nóis Sofre Mais Nóis Goza foi criada por um grupo de amigos do Bairro de Jardim São Paulo, que fazia parte de uma quadrilha chamada Arraial Oxente My Love.
Nóis Sofre Mais Nóis Goza.

A ideia do nome surgiu devido às dificuldades para montar o arraial, no qual os próprios brincantes se reuniam para buscar madeiras e palhas de coco na mata do Curado, bairro próximo à Jardim São Paulo. Numa dessas ocasiões de arrumação do arraial, “um deles gritou: ‘Nóis sofre mais nóis goza!’. Nascia assim a mais nova quadrilha do bairro para fazer frente às muitas que existiam na época”, diz Sérgio de Barros, um dos fundadores do grupo.
 

Pé Dentro, Pé Fora

A Quadrilha Pé Dentro, Pé Fora nasceu de uma brincadeira de jovens nas ruas do Bairro de Pirapama, Cabo de Santo Agostinho, em 12 de junho de 1977. Veja-a nesta foto

Pé Dentro, Pé Fora.

Rogério Ramos Ferreira, Roberto Moura e outros amigos da vizinhança, inspirados no sucesso da quadrilha Soca Soca, também da localidade, decidem se organizar e criar a Pé Dentro, Pé Fora. “Na época era comum as quadrilhas montarem seu repertório de um só disco de vinil. No entanto, o disco que a quadrilha ensaiava quebrou, e [...] foi, então, que apareceu um disco chamado ‘Rio Antigo’, com faixas que continham algumas músicas de maxixe. Isto então causou o maior fuzuê, porque a dança mostrava algo muito ousado pra época e era então considerada uma pouca vergonha, por tratar-se de dançar perna entre perna. Daí o nome Pé Dentro Pé Fora”, diz Roberto Moura (Beto).

 

Fotos: Fundação de Cultura Cidade do Recife

Fonte: SANTOS, Mário Ribeiro. Nos Arraiais da Memória: As quadrilhas juninas escrevem diferentes histórias. 2010, Recife, PE.

 

Wilton é administrador do Recife de Antigamente.

Izan Sant

Izan Sant

Um autor super do Bem.

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presente de artista

Aniversariantes

  • Adriana Calcanhotto (cantora)
  • Adrielly Henry (atriz – Recife/PE)
  • Alcina Nascimento (educadora – Igarassu/PE)
  • Ângelo Santoro (coreóg., superv./vendas – Recife)
  • César Santos (chef de cozinha – Olinda)
  • Cláudia Abreu (atriz)
  • Cléo Pires (atriz)
  • Cynthia Nunes (estudante – Recife)
  • Danilo Rojas (bailarino – Recife)
  • Dayse Figueiredo (empresária, Lulu Bijoux – RJ)
  • Eletana Targino (coord. da LFG – Alta Floresta/MT)
  • Fabinho Seven (prop. Infohouse – Recife)
  • Fagner (cantor)
  • Fellipe Maia (Cofundador Berlim Digital – Recife)
  • Fernanda Montenegro (atriz)
  • Fiuk (ator e cantor)
  • Flávio Leimig (modelo e ator – Recife)
  • Gabriela Castello Buarque (universitária – Recife)
  • Gil Ayres (universitário, UFPE – Recife)
  • Glória Menezes (atriz)
  • Ilka Nóbrega (bibliotecária – Igarassu)
  • Izabella Nóbrega (bibliotecária – Igarassu)
  • Josy Ventura (administradora, atriz – Recife)
  • Kayky Brito (ator)
  • Manuela Sena (administradora – Recife)
  • Marcella Muniz (atriz)
  • Marcello Picchi (ator)
  • Marisa Orth (atriz)
  • Miguel Falabella (ator)
  • Miguel Teixeira (produtor cultural – Recife)
  • Najla Rocha Leite (gestora adjunta – Olinda)
  • Nasaré Azevedo (profa.: Filosofia – Bezerros/PE)
  • Pascoal Filizola (ator e arte-educador – Recife)
  • Pelé (ex-jogador / Rei do Futebol)
  • Pitty (cantora)
  • Priscila Camargo (atriz e contadora de histórias)
  • Rafael Cabral (jornalista e sanitarista – Olinda)
  • Rodrigo Faro (ator, cantor e apresentador/TV)
  • Sérgio Xavier (emp. Grupo inovsi – Recife)
  • Sinho Mello (cantor/educador físico – Recife)
  • Tássio Rennalli (advogado – Recife)
  • Thais Caseli (oper.: Direirto/concurseira – Recife)
  • Tofalini (cantor/compositor – Cambé/PR)
  • Vicktor Lira (booker/modelo/ator – Banguecoque)

Eventos

  • 19. Em São Paulo/SP: Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 20. Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 21. Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 18h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 26. Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 27. Em Recife/PE: Happy Holi – 14h – R$ 55 (pista) / R$ 85 (backstage) à venda site e app Bilheteria Digital – Área externa Centro de Convenções de Pernambuco / Complexo Salgadinho, S/N
  • 27. Em São Paulo/SP: Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana

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