Entrevista Exclusiva: atriz Josy Ventura


Uma paulista que fez do Recife sua casa, esta atriz respeitável confessa que a profissão veio por influência das telenovelas brasileiras: "Além de bem produzidas, muitas têm feito um trabalho social legítimo", o que não se pode deixar de reconhecer sobre elas.

Cinema. Hermano e Denise em "Recife Assombrado: o Filme".

Cena romântica com Daniel Rocha, o Hermano no longa-metragem Recife Assombrado: o Filme. Josy Ventura é Denise, a esposa grávida de 6 meses
(Foto: Diego Herculano)

 

Tendo contracenado com Daniel nesse longa-metragem, nos últimos meses Josy se dedica aos ensaios da peça teatral Geni, baseada na música Geni e o zepelim, de Chico Buarque de Holanda. Nela, transforma-se em uma figura totalmente diferente de si mesma. Confira ao longo desta surpreendente entrevista, na qual conheceremos seus autores e novelas favoritos, além de muito mais.

Cinema. "Recife Assombrado: o Filme".

Outro momento de Hermano e Denise
(Foto: Diego Herculano)

 

IZAN SANT – Ser atriz: sonho bastante cultivado?
JOSY VENTURAEu deixei de chamar de sonho quando encarei a profissão como realidade e, daí por diante, tudo fluiu melhor. Agora, cada passo dado são pequenos sonhos transformados em realizações. E, sim, sempre cultivei muito. O amor é como flor, precisa ser cultivado, regado e, assim, é meu amor pela arte, sempre me doando ao máximo.

Viagem. Teatro. São Paulo.

Teatro Renaut — São Paulo
 

IS – Em seu ponto de vista, quais são as principais dificuldades nesse campo profissional?
JVSão muitas dificuldades e muitas glórias, umas dão sentido às outras. Contudo, acredito que a principal dificuldade para todos é não poder exercer apenas esta profissão, sempre temos que nos dedicar a dois ou mais ofícios para nos manter financeiramente; até aí, normal: o trabalho sempre dignifica. Mas quando o ofício secundário interfere no teu projeto artístico, é desanimador. Hora de parar, respirar e não desistir. E este é o princípio de um grande artista: a resiliência.

Viagem. Cerro Santa Lúcia no Chile.

Monte Cerro Santa Lúcia, Santiago do Chile 
 

IS – Geni, produzida em Recife, que estreou em 14 de junho, retorna aos palcos neste mês. De que fala, propriamente, o espetáculo?
JVCom texto e direção de Emmanuel Matheus, “Geni”, em suma, foi baseado, como você lembrou, na música “Geni e o zepelim”. Conta a história de uma prostituta que vive em uma cidade chamada Paraíso. Certo dia, um zepelim gigante paira sobre a pequena cidade, ameaçando a vida de todos; dentre a podridão e os pecados de Paraíso, todos se salvam através da carne de Geni, mulher da marginália. Ela representa o povo e faz a minoria ter voz, deixando a hipocrisia evidente em vários momentos do espetáculo.

Teatro. Sra Pacatau.

A atriz, à esquerda, em sua impressionante caracterização
(Foto: Portela Produções)

 

IS – O que tem em comum com sua personagem?
JVO espetáculo navega por momentos densos de muita emoção, drama que choca, reflexão do tipo soco no estômago, mas ele também passa por momentos leves, que contagiam o público, meu núcleo é composto por este quadro. Interpreto a Sra. Pacatau, dona de uma personalidade forte e autoritária, sua melhor companhia é sua irmã gêmea. Elas ficam de olho na vida de todos em Paraíso; disfarçando seus próprios segredos, surpreendem o público com uma revelação ao final da peça. Não vejo semelhança nenhuma com a Sra. Pacatau (Risos gostosos). Mas estou me divertindo muito com ela.

Teatro. A Sra Pacatau.

A rígida e mexeriqueira Sra. Pacatau
(Portela Produções)

 

IS – Qual o processo usado para compor Pacatau?
JVSomos a Bernache Companhia de Teatro, composta por 15 artistas, todos estão no elenco de “Geni”. O processo foi baseado em técnicas de Bertholt Brecht, cada personagem bebe da sua fonte. Porém, como companhia, mantemos contato e estudos constantes com os principais sistemas, dramaturgos e técnicas que fundamentam o teatro mundial. Sendo assim, durante o processo aproveitei todos os instrumentos para conceber a personagem, predominando, claro, as técnicas de Brecht.

Teatro. Cena de Geni.

O elenco de Geni em cena
(Portela Produções)

 

IS – Quem não viu o que pode esperar da peça?
JVUma mensagem impactante e importante. O feedback geral recebido pós-estréia, ocorrida em junho deste ano, foi de emoção e reflexão. As interpretações comovem cada um de forma particular. Vale muito a pena assistir ao vivo uma história extraída de uma música tão genial.

Teatro. Instante cênico de Geni.

Um cômico instante do espetáculo teatral?
(Portela Produções)

 

IS – Do filme A Vida Em Uma Viagem, selecionado para o Cine PE 2016, fala um tanto de sua Ana.
JV – “A Vida Em Uma Viagem” é um curta-metragem lindo, escrito e dirigido de forma delicada e ímpar por Tauana Uchôa. Além do Cine PE, ele também foi selecionado para a Mostra Não Competitiva do Cine Teatro Maria Bonita, no Piauí, também em 2016. Foi uma grande satisfação estar neste projeto com Tauana, meu primeiro trabalho no cinema com texto escrito e dirigido por uma mulher. O filme retrata o tempo, como ele passa rápido e, através dele, encontramos pessoas e vivenciamos histórias. Minha Ana foi interpretada por mais três atrizes, porém em décadas diferentes. Eu a vivenciei nas décadas de 60, 70, 80 e 90. Na última, precisei me caracterizar como uma pessoa com mais idade. Foi feito com muito carinho por todos os envolvidos. A vida de Ana e da sua família foi contada no decorrer destas décadas, e todas as cenas se passavam numa estação e dentro de um trem, na Região Metropolitana do Recife.

Cinema. "A Vida Em Uma Viagem".

Ana jovem, exalando vida
 

IS – Há algo que a identifica com Ana?
JVO amor que ela carregava no coração pela sua família. A lembrança da sua mãe a emocionava e a transbordava de saudade.

"A Vida Em Uma Viagem". Personagens envelhecidos.

Ana envelhecida, no mesmo vagão de trem
 

IS – Um papel que não fez e adoraria fazer?
JVNossa! O céu é o limite, quero viver muitos papéis, ainda não fiz um terço do que gostaria. Da comédia romântica aos contextos mais sérios, tudo me interessa. Gostaria de interpretar uma dama de época, mas também me interesso por assuntos contemporâneos e do cotidiano. Meu objetivo principal é usar minha arte a favor da sociedade; atuar, pra mim, é prestar um serviço à mesma.

Cinema. Curta "A Vida Em Uma Viagem".

Equipe de A Vida Em Uma Viagem
 

IS – Como foi a experiência em relação ao Recife Assombrado: O Filme?
JVEsse foi meu primeiro longa, já é especial por este motivo. Mas trabalhar com pessoas que admiro e as que passei a admirar, durante o processo, foi mais que incrível. Outro fato é poder fazer cinema em nossa terra e com gente da nossa terra, isto realiza sonhos, é uma grande conquista. Dirigido por Adriano Portela e produzido pela Viu Cine, junto com uma grande equipe talentosa e competente, todos, neste momento, estão focados na pós-produção. O filme tem previsão para estrear nas telonas em 2019.

Sucesso. Dose Tripla à Josy Ventura.

No Galo da Madrugada, no palco, em Geni; na pele da grávida Denise
 

IS – Você tem novelistas preferidos?
JVCom orgulho, temos no Brasil grandes escritores e novelistas, mas alguns me marcaram contando histórias através de novelas e que admiro: Benedito Ruy Barbosa, Thelma Guedes e Duca Rachid, Walcyr Carrasco, Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e, não mais entre nós, a Ivani Ribeiro.

Cinema. Preparações.

Caracterizações em nome da personagem


IS – Melhor(es) novela(s)?
JVAssim como os autores, temos grandiosas novelas brasileiras de que podemos nos orgulhar, pois foram, de alguma forma, serviços prestados à sociedade. Há quem negue, mas nós, brasileiros, somos noveleiros, sim! E algumas novelas me marcaram e me incentivaram a querer fazer da dramaturgia minha profissão: “Mulheres de Areia”, “O Profeta”, “Chocolate com Pimenta”, “Joia Rara”, “Renascer”, “A Viagem”, “Avenida Brasil”, “A Próxima Vítima”, do mestre Sílvio de Abreu, entre outras.

Viagem. Valparaíso no Chile.

Valparaíso, cidade portuária na costa chilena
 

IS – Algo fundamental na sua existência?
JV Sintonia com Deus e minha família.

IS – O que mais lhe dá medo e o que mais a irrita?
JVMedo de ser injusta, e o que mais me irrita é o injusto, o desonesto e o mentiroso.

Equipe de "Recife Assombrado - o Filme".

Parte da equipe de Recife Assombrado: o Filme
(Portela Produções)

 

IS – Vamos a um breve bate-bola. Amor?
JVÀ arte.

IS – Família?
JVUma base fundamental.

Josy Ventura. Distintos momentos.

Ventura: descontração é o que interessa
 

IS – Qualidade e defeito?
JV Empatia com o próximo. Desapego.

IS – Hobby e mania?
JVSair pra tomar um café com as amigas. Mania: dormir ouvindo música.

Teatro. Uma de suas peças.

Atuando em uma de suas casas, o teatro
 

IS – Sonho de consumo e filme inesquecível?
JVComer batata frita sem engordar. Já o filme… Impossível eleger apenas um ou dois filmes inesquecíveis, mas seguem dois que me vieram à mente agora e, com certeza, estão na minha lista dos inesquecíveis. Estrangeiro: “A Vida É Bela”. Nacional: “O Filme da Minha Vida”.

IS – Josy Ventura por Josy Ventura?
JVAcredito e persisto até o último instante, mas sempre reconheço o momento de ajustar as velas.

Viagem. Em vinícola no Chile.

Vinícola Santa Rita, Chile
 

IS – Como sempre finalizamos, uma mensagem super do Bem aos admiradores do seu trabalho!
JVA vida pode ser maravilhosa, doe o seu melhor e acredite no amanhã.

 

Geni estará em cartaz dias 22/09, 19h, e
23/09, 18h - Teatro Apolo
à 
Rua do Apolo, 121, Recife.
 

Veja outra matéria com a entrevistada:
Ser atriz é ser disciplinada.
 

Demais fotos:

Arquivo Pessoal da Atriz / Divulgação

Izan Sant

Izan Sant

Um autor super do Bem.

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Entrevista

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Você Aqui - novembro de 2018

presente de artista

Aniversariantes

  • Adriana Birolli (atriz)
  • Alcione (cantora e sambista)
  • Alline Sarmento (advogada – Recife/PE)
  • Ana Paula Padrão (jornalista)
  • Angélica (cantora, apresentadora e atriz)
  • Antonia Guedes (técn. em Óptica, Igarassu/PE)
  • Conceição Teles (educadora: Ens. Médio – Olinda)
  • Deborah Secco (atriz)
  • Duca Rachid (novelista e dramaturga)
  • Emília Marques (atriz – Recife/São Paulo)
  • Fátima Sequeira (psicóloga, Rio de Janeiro)
  • Felipe Lima (ator)
  • Flávio Marcone (jorn./cineg./fotógrafo – Recife)
  • Francisco Cuoco (ator)
  • Gustavo Reiz (escritor e novelista)
  • Herson Capri (ator)
  • Iralvânia Nóbrega (pedagoga – Igarassu)
  • Jack Raf (estud.: Artes Cênicas, UFPE – Recife)
  • Jesiane Rocha (jornalista – Caruaru)
  • Jessany Sany (de 2o. grau completo – Recife)
  • Juan Lima (poeta e publicitário – Recife)
  • Lázaro Ramos (ator)
  • Luciana Mariano (prop. Lu Mariano Produções Ltda)
  • Luís Távora (ator – Recife)
  • Luiz Henrique Peixôto (prof./Informática – Paulista)
  • Marcus Vinitius (divulgador de eventos – Recife)
  • Marieta Severo (atriz)
  • Mônica Moraes (jornalista)
  • Natália Marinho (INNAM – Igarassu)
  • Natt Souza (atriz – Recife)
  • Rauani Castro (atriz e produtora – Recife)
  • Reynaldo Gianecchini (ator)
  • Thaís Araújo (atriz)
  • Thiago Fragoso (ator)
  • Thiago Nolasco (drag queen – Recife)
  • Thiago Pimenta (repres. comercial)
  • Tonny Vaz (cantor – Recife)
  • Vera Fischer (atriz)
  • Victor Gondim (modelo – Brasil/Pequim)
  • Will Tom (ator e theater – Rio de Janeiro)

Eventos

  • 07. No Rio de Janeiro/RJ: estreia da peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 20h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea
  • 08. Peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 20h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea – Rio de Janeiro
  • 09. No Rio de Janeiro/RJ: peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 21h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea
  • 10. Em Recife/PE: Daniel Boaventura, dias 9 e 10 – 21h – Plateia Baixa Lateral: R$ 170 (inteira) e R$ 85 (meia), Plateia Alta: R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia), Balcão Nobre: R$ 130 (inteira) e R$ 65 (meia), Especial | Plateia Baixa Central: R$ 200 (preço único, com direito a CD DVD autografado e foto com o artista – Teatro RioMar / Av. República do Líbano, 251, 4º piso – RioMar Shopping
  • 14. No Rio de Janeiro/RJ: peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 20h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea
  • 15. Peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 20h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea, Rio de Janeiro
  • 16. Peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 21h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea, Rio de Janeiro
  • 21. No Rio de Janeiro/RJ: peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 20h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea
  • 22. Em Cabo de Santo Agostinho/PE: “Frenesi”, peça teatral com Priscila Cardoso, Atriz Premiada em Recife pelo EmCena PE – 19h – Auditório Luiz Lacerda (ao lado da escola-modelo Antônio Benedito da Rocha) / Rua Linha, 72-132, Garapu
  • 22. No Rio de Janeiro/RJ: peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 20h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea
  • 23. No Rio de Janeiro/RJ: peça “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher – 21h – de 07/11 a 30/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – Shopping da Gávea, Loja 264, 2º Piso / Rua Marquês de São Vicente , 52 – Gávea
  • 30. Em Olinda/PE: Simone encontra Ivan Lins – 21h30 – Plateia Especial: R$ 244 (inteira) e R$ 122 (meia), Plateia: R$ 204 (inteira) e R$ 102 (meia), Balcão: R$ 154 (inteira) e R$ 77 (meia) – Teatro Guararapes / Centro de Convenções

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