Contos

Conto: Garota ferida!

Obras de arte e fotos: by Geneci (Dini) Martelli – Tapurah/MT
Artes Plásticas.

Era uma sexta-feira nublada em São Paulo, às 21 horas, quando a artista plástica Ísis Valeska, de dezenove anos, entrou no seu apartamento — ao lado do Parque do Ibirapuera — louca, sofrendo os horrores de um massacre. Um riacho incontrolável no rosto atraente, doída por dentro como se tivesse sido varada no peito por um punhal! Inclinada, a mão no ventre, seus gritos enchiam os interiores do apê:

— Ai, que dor, que dor!… Me acuda, meu Pai!…

Foi atirando objetos decorativos contra a parede, o soalho, os espelhos, como num desabafo. Rob, o irmão três anos mais jovem, veio do quarto, assustado e largando o tablet, na agonia da interrogação:

— Que é que você tem, Ísis?! — Tentava segurá-la. — Me diz, o que tá pegando, minha irmã?!

Transtornada, o tom de voz da garota se amplificou mais ainda:

— É uma dor, uma dor, Rob!… Dói muito, dói!… É uma dor maior que a vida, maior que o mundo, é uma dor!… — Gesticulava como uma doida precisando de camisa-de-força.

Rob tentava acalmá-la, sentá-la no sofá, mas ela guerreava indomavelmente contra ele. Jogou o teen sobre o tapete, rasgou-lhe a manga da camisa e lhe arranhou o rosto.

— Dói muito, dói!…

— Que dor, por que isso, fera?! — perguntou, com a mão no arranhão e já revoltado. Tentou novamente segurar os braços dela, abraçá-la.

— Me larga, garoto!!!

Quis arranhar o rosto dele outra vez, no entanto Rob se desvencilhou e lhe deu um tapa, fazendo-a cair aos pés de uma meia mesa onde ficava a escultura Deusa da Justiça – Thêmis, produzida por sua mestra em Artes Plásticas, Geneci Martelli (uma aquisição da aluna).

— Chega, Ísis!!!

Silêncio geral após o bramido e a “bolacha” de Rob, suado, a face riscada de vermelho, a camisa rasgada, o coração compadecido pelo sangue do seu sangue. Ísis abafou o choro. Rob ficou de joelhos junto a ela, que desabou no ombro dele. A sala, um Iraque!

— Desculpa, mana… Não curto violência, você sabe, pô… Só não vi outro jeito de te frear.

— Perdão, Robinho… Eu é que te peço, eu não queria te agredir…

Artes Plásticas.— Beleza, tá legal? — falou, repousando a mão nos cabelos corredios da Thêmis. — Tudo na paz agora. Mas me diz, tô boladão… Que rolo aconteceu?

— Ah, meu brother!… — desabafo dramático! — tudo seria tão melhor na vida se não existisse mais homem na face da Terra!…

— Não… — ficou bobo com o motivo. — Você tá assim… por causa de homem?!

— Ele… ele acabou comigo, Rob. O carinha me matou, sabe?… Aquele monstro, ele…

— Ele…? — disse Rob, querendo que ela continuasse, acalorando a desesperada com um aperto nas mãos.

— Ele não vale nada! Agora, é um inimigo pra mim, eu odeio aquele mané, quero ver ele comendo capim pela raiz! — Ergueu-se. Caminhou lentamente pela sala, depois virou-se para o irmão. — Ele me feriu, feriu minha alma. Acabou comigo. Tô me sentido a última das pessoas, um farrapo…

Impaciente, Rob se levantou querendo assassinar a dúvida:

— Dá um tempo nas metáforas! O que foi que o Léo te fez, ele te botou uma peruca de touro? — A impaciência deu lugar à angústia.

Ela estranhou:

— Quem tá falando do Léo aqui, maninho? Pirou total você?

— Opa, espera aí… — ele se surpreendeu. — Não é do Léo, seu namorado, que você tá se queixando?…

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Conto: “Dividindo a namorada”

Dividindo a namorada.
Feliz da vida, Naty disparou para o quarto. Pegou o diário e a caneta e começou a metralhar tinta pink nas páginas:

“Segunda-feira, Dia dos Namorados, tardinha.

Que show de bola, diário! Diogo aceitou me dividir com ele!

Mas como foi difícil, meu namorado não é mole, não, mais parece um homem das cavernas, diz que namorada dele só deve ter olhos pra ele, pode? Hoje mesmo, pela manhã, ele me falou isso. Depois, cedeu.

Foi preciso um mês pra eu convencer o cara. Me tornei mais atenciosa com ele, mais carinhosa, mais obediente… Até trocar as minissaias pelas calças compridas, troquei. Menos batom, menos blush, menos sombra, menos riso… A mais, só a roupa e o grau de comportamento. Tolice! Eu já tava ficando histérica de tanto esperar pelo sim dele, quando, há pouco, ousei dizer ao teimoso:

— Cansei de ser enrolada por você, Diogo, e eu não sou fio pra isso. Te amo muito, mas das duas, uma: ou você aceita, pra valer, me dividir com ele ou a gente rompe o namoro agora. Tô falando sério!

— Eu não posso te dividir com ele! — ele me respondeu, impaciente.

— Você já me dividiu com tantos outros, rapaz, qual é agora, hein?

— Só que os outros de antes não eram ele…

— Ah, é, mocinho? Então, qual a diferença entre os outros e ele, quer me dizer?

— Não gosto dele. Simplesmente não gosto, Naty.

— Por quê? Você sempre foi tão nem-aí pros outros… Para com esse ciúme bobo, cara. Estamos nos tempos modernos, Terceiro Milênio, lembra? Robôs, Internet, supercelulares…

— Mas isso tudo aí não me deixa bolado, não. O que você quer fazer, ficando com aquele outro lá, isso, sim.

Relaxei. Tentando entender melhor aquela cabecinha, perguntei com ternura:

— E você tem medo do quê, hein, amor?…

— Te perder, Tatá — a resposta foi de pronto!

— Me perder?… — me surpreendi.

— É. Sempre que você tá com qualquer outro, eu me sinto vaziozão, entende? É como se ele tivesse arrancado você de mim pra sempre!

— Diogo… que coisa sem noção! — Era sem noção mesmo.

— Sem noção? Vai que você se empolga com esse aí, resolve se aventurar mais com ele do que com os outros, aí me esquece e me abandona, né?!

Inacreditável, aquilo! Como diria o outro daquela novela que acabou, eu devo ter pintado de ruivos os cabelos de Sansão, pra ter que ouvir uma coisa daquelas! Bom… mas respirei fundo. De surpresa, beijei Diogo ardentemente, como nunca tinha beijado antes, pra tranquilizar o coração dele; depois, aproveitando o desarmamento do babaca, confessei:

— Nunquinha que vou te deixar, Diogo. Eu te amo! Olha, sou apaixonada por tudo em você: teus olhos, tua boca… teu cheiro, esse teu cabelo espetadão… tuas roupas largadonas, tua ideologia não-às-drogas… Até por teu mau-humor, sabe? Sou completamente doida por você, mas… também tô loucamente apaixonada por ele, e isso desde que a Silvinha me falou dele, me apresentou a ele na casa dela… Ah, quero tanto poder ficar com ele sem ter que abrir mão de você, neném… Será que não dá pra compreender isso?

— Não — respondeu, seco.

— Não? — cansei. Fui ríspida: — Então prefere que eu fique com ele às escondidas?

— Você não seria capaz — duvidou, baqueado.

— Sou, e não há quem me impeça! — contra-ataquei. — Você não é meu dono, cara, helloou!…

Helloou, uma ova!

— Tudo bem, trégua. Vem cá, me diz uma coisa, sinceramente: do que mais você não gosta nele? Já me dividiu com tantos… Do que mais, exatamente?

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Entrevista

VÊ, GALERA – Clica

msg do mês

Glória Valcácer - Msg do Mês de outrubro - 2018

VOCÊ AQUI

Camila Duarte - Foto de Bem de outubro - 2018

presente de artista

Aniversariantes

  • Adriana Calcanhotto (cantora)
  • Adrielly Henry (atriz – Recife/PE)
  • Alcina Nascimento (educadora – Igarassu/PE)
  • Ângelo Santoro (coreóg., superv./vendas – Recife)
  • César Santos (chef de cozinha – Olinda)
  • Cláudia Abreu (atriz)
  • Cléo Pires (atriz)
  • Cynthia Nunes (estudante – Recife)
  • Danilo Rojas (bailarino – Recife)
  • Dayse Figueiredo (empresária, Lulu Bijoux – RJ)
  • Eletana Targino (coord. da LFG – Alta Floresta/MT)
  • Fabinho Seven (prop. Infohouse – Recife)
  • Fagner (cantor)
  • Fellipe Maia (Cofundador Berlim Digital – Recife)
  • Fernanda Montenegro (atriz)
  • Fiuk (ator e cantor)
  • Flávio Leimig (modelo e ator – Recife)
  • Gabriela Castello Buarque (universitária – Recife)
  • Gil Ayres (universitário, UFPE – Recife)
  • Glória Menezes (atriz)
  • Ilka Nóbrega (bibliotecária – Igarassu)
  • Izabella Nóbrega (bibliotecária – Igarassu)
  • Josy Ventura (administradora, atriz – Recife)
  • Kayky Brito (ator)
  • Manuela Sena (administradora – Recife)
  • Marcella Muniz (atriz)
  • Marcello Picchi (ator)
  • Marisa Orth (atriz)
  • Miguel Falabella (ator)
  • Miguel Teixeira (produtor cultural – Recife)
  • Najla Rocha Leite (gestora adjunta – Olinda)
  • Nasaré Azevedo (profa.: Filosofia – Bezerros/PE)
  • Pascoal Filizola (ator e arte-educador – Recife)
  • Pelé (ex-jogador / Rei do Futebol)
  • Pitty (cantora)
  • Priscila Camargo (atriz e contadora de histórias)
  • Rafael Cabral (jornalista e sanitarista – Olinda)
  • Rodrigo Faro (ator, cantor e apresentador/TV)
  • Sérgio Xavier (emp. Grupo inovsi – Recife)
  • Sinho Mello (cantor/educador físico – Recife)
  • Tássio Rennalli (advogado – Recife)
  • Thais Caseli (oper.: Direirto/concurseira – Recife)
  • Tofalini (cantor/compositor – Cambé/PR)
  • Vicktor Lira (booker/modelo/ator – Banguecoque)

Eventos

  • 19. Em São Paulo/SP: Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 20. Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 21. Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 18h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 26. Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana
  • 27. Em Recife/PE: Happy Holi – 14h – R$ 55 (pista) / R$ 85 (backstage) à venda site e app Bilheteria Digital – Área externa Centro de Convenções de Pernambuco / Complexo Salgadinho, S/N
  • 27. Em São Paulo/SP: Peça teatral “As Brasas”, adaptação de Duca Rachid e Julio Fisher, onde “mais do que amigos, os personagens são ‘irmãos’” – 21h – de 29/09 a 04/11 – com Herson Capri e Genézio de Barros – SESC Santana / Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana

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